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— Eu pensei em te ligar essa noite. Lhe dizer tudo o que eu tenho pra dizer, soltar o verbo. Eu pensei em chorar, fazer aquele drama, só pra te ter comigo novamente. Eu pensei também em te dizer aquelas palavras, sabe? Aquelas que você diz que não enjoa de ouvir. Pensei em te telefonar na madrugada, só pra perguntar se você estava sonhando comigo. Fiquei com medo, não sei, talvez medo de quê você ignorasse as ligações. Me acabei no choro. Sorri então, pois lembrei que você sempre dizia que adorava ouvir minha voz, que ela te confortava. Aí então, resolvi te ligar, cheguei a digitar seu número, mas então o apaguei logo em seguida. Fiquei pensando, pensando, cocei a cabeça, olhei para o alto, mordia o lábio — inseguro —, olhava para o celular, esperava uma mensagem sua “me liga, preciso ouvir sua voz,” porém nada passou de uma imaginação. Incerteza. Medo. Não sei de quê. Eu queria te ligar, droga. Não sou corajoso o bastante. Pensei mais um pouco, ficava pensando em seu sorriso, ah, que sorriso lindo. Fiquei rodando a cabeça, mas nada adiantou. Então chegou uma mensagem, do nada. Assustei, fiquei impressionado, cliquei rápido, estava ansioso, mas quando vi, não era você, era apenas mais uma daquelas mensagens de promoções do chip. Fiquei nervoso. Mas sabe, foi bom, a ansiedade de falar com você passou um pouco. Mentira! Nunca passa. Deixei uma lágrima correr pelo rosto, logo a enxuguei. Incerto que o seu amor por mim tinha acabado… Tentei te ligar, mais uma vez, peguei o celular, disquei seu número, e logo em seguida, apaguei. Eu pensei em te ligar… Mas, como tenho medo, deixei de lado, resolvi sofrer. Pra quê? Não me pergunte, pois nem eu tenho essa resposta. Mas meu amor, me perdoe. Não sou do tipo que corre sempre atrás.
A quase ligação -
Otávio Panciero (via
habituar)